O Bosque Selvagem: projeto mais ambicioso da história da LAIKA estreia nos cinemas nesta quinta-feira (29)

Dirigida por Travis Knight, a animação chega ao Brasil com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e apontada como a favorita ao Oscar® de Melhor Animação

Até onde você iria por amor? Do estúdio LAIKA, responsável por Coraline e o Mundo Secreto, O Bosque Selvagem estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas, com distribuição da Imagem Filmes. Resultado de 16 anos de trabalho, a animação em stop-motion dirigida por Travis Knight (Kubo e as Cordas Mágicas) chega ao país com com 100% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes, se tornando o filme mais bem avaliado da história do estúdio. Além disso, obteve média 4,5 (de 5) no Letterboxd. O longa também já é apontado como um dos favoritos ao Oscar® de Melhor Animação.

A recepção da crítica internacional confirma a dimensão do projeto. Frank Scheck, do The Hollywood Reporter, classificou a animação como o projeto mais ambicioso da LAIKA e talvez a obra-prima do estúdio. O crítico Robbie Collin, do britânico The Telegraph, foi além: “Acho que acabei de ver o filme em stop-motion mais bonito já feito”. Para o TheWrap, trata-se de uma das animações mais impressionantes já realizadas, enquanto a Collider afirmou que o longa supera todos os trabalhos anteriores da LAIKA.

O Bosque Selvagem: Uma fantasia épica como ato de amor

Baseado no livro de Colin Meloy, com ilustrações de Carson Ellis, O Bosque Selvagem acompanha Prue McKeel (Giulia Benite na versão dublada), uma adolescente obstinada que vê o irmão caçula ser levado por um bando de corvos. Para resgatá-lo, ela parte rumo à Floresta Impenetrável, uma mata encantada escondida logo além de Portland, no Oregon. Ao lado de Curtis Mehlberg (Pedro Burgarelli na versão dublada), colega de classe atrapalhado, porém leal e secretamente apaixonado por ela, Prue atravessa um mundo de animais falantes, bandidos e figuras poderosas movidas por luto e ambição. Quando a dupla é arrastada para um conflito que ameaça o equilíbrio da própria floresta, a jovem precisa encontrar uma força que nunca soube ter e arriscar tudo para trazer o irmão de volta.

Do outro lado do conflito está Alexandra, a Governadora Viúva, personagem que encarna de forma trágica a pergunta que move o filme: até onde ir por quem amamos? Muito antes de ser vista como vilã, Alexandra era apenas uma mãe. A morte do filho pequeno despedaçou seu mundo de tal forma que ela se recusou a aceitá-la como definitiva. Na tentativa de derrotar a morte, acabou aprisionada no próprio luto, sacrificando a compaixão, a razão e, por fim, a humanidade em busca do impossível. Alexandra não é movida pela crueldade, mas por um amor que se transformou em obsessão. É o lembrete de que até nossas virtudes mais profundas, quando perdem os limites, podem se tornar nossas maiores tragédias. “O luto pode fazer o impossível parecer negociável”, resume o diretor Travis Knight.

Pelo caminho, Prue encontra aliados que revelam as muitas faces da coragem. Brendan, líder dos Bandidos, conquistou o posto pela confiança dos companheiros, não pela busca de poder, e logo reconhece na jovem a rara disposição de escolher o que é certo em vez do que é fácil. A General, majestosa comandante do Principado Aviário, governa com autoridade e sabedoria e é uma das poucas figuras capazes de enxergar além das disputas entre facções. Já a pequena e maltrapilha Septima, subestimada por quase todos, sobrevive de esperteza e lábia, misturando trapaça, humor e uma lealdade surpreendente. A jornada ainda reúne a guerreira Niamh, o excêntrico e teatral Corujão Rei, a sábia Iphigenia, alma mais antiga do bosque, o Chefe dos Correios, que conhece como ninguém os caminhos ocultos da floresta, e o azarado Dmitri, um soldado de decência inabalável.

Ao lado de Alexandra está Maksim, que serve a Governadora com devoção absoluta, convicto de que a ordem vale qualquer preço, e encarna a certeza sedutora do poder autoritário. Mais discreto, mas não menos perigoso, Lars Svik não busca amor, e sim controle, certo de que o destino das nações se decide em salas silenciosas. Na família de Prue, a mãe, Sra. McKeel, acolhedora e artística, e o pai, Sr. McKeel, engraçado e pé no chão, mostram que os gestos comuns de cuidado também podem ser heroicos.

A grandeza de O Bosque Selvagem

A história de O Bosque Selvagem começou antes mesmo de o livro chegar às livrarias em 2001. Um ano antes, Knight leu o manuscrito ainda inacabado de Colin Meloy e soube na hora que queria adaptá-lo. A escala da história, porém, estava além do que o stop-motion permitia na época, e o projeto amadureceu por 16 anos enquanto a LAIKA lançava outros filmes. Os storyboards começaram a ser desenvolvidos em 2018, a pré-produção teve início em 2020, poucas semanas antes da pandemia, e as filmagens começaram oficialmente em 2021.

Travis Knight e uma equipe de mais de mil artistas, artesãos, técnicos e realizadores trabalharam por anos para dar vida ao roteiro que ele assina ao lado de Chris Butler, que já havia assinado os roteiros de ParaNorman, Kubo e as Cordas Mágicas e Link Perdido.

A equipe liderada pelo designer principal de personagens Thibault Leclercq desenvolveu o visual dos personagens, enquanto a figurinista Deborah Cook confeccionava as roupas em miniatura e o diretor de arte Nelson Lowry transformava as peculiaridades de Portland, cidade-sede da LAIKA, em cenários que funcionam como uma declaração de amor da equipe à cidade. Para a fotografia, Knight convidou Caleb Deschanel, seis vezes indicado ao Oscar®, que estreia no stop-motion após décadas de carreira no live-action, experiência que reconfigurou a forma como o estúdio pensa a imagem. A trilha sonora é de Dario Marianelli, vencedor do Oscar® por Desejo e Reparação, que já havia composto para a LAIKA em Kubo e as Cordas Mágicas e Os Boxtrolls.

Os números dão a dimensão do projeto: foram 231 semanas de produção, 2.804 planos na versão final e 132 cenários práticos, que dão forma a 117 locações distintas. Para que os 233 bonecos transmitissem emoção real, foram criados 142.030 rostos substituíveis, trocados quadro a quadro. O número supera os cerca de 106 mil de Link Perdido, até então o recorde entre os longas em stop-motion. Cada personagem principal recebe um rosto único para cada quadro de animação, o equivalente a 24 rostos por segundo de filme, e cada um deles é preservado no acervo da LAIKA como uma obra de arte individual.