O Pinóquio de Lipe Diaz nasceu de uma forma inusitada. Num sonho envenenado, Gepeto, um guerreiro aposentado, viu o boneco aventureiro ganhar forma. Ao acordar, uma tora misteriosa o esperava. Com as próprias mãos, ele esculpiu seu filho acreditando ser uma obra divina. Mal sabia ele que eram os velhos inimigos que sopraram vida ao Pinóquio Golem.
Essa releitura do personagem de Carlo Collodi chega ao desfecho em “O Pinóquio Aventureiro 3: O Segredo Revelado”, HQ independente que está em fase final de produção e recebe apoio em uma campanha de financiamento coletivo no Catarse até 12 de outubro. A meta do quadrinista carioca é reunir 200 apoiadores para concluir e entregar o livro.
A trilogia nasceu durante um exercício de criação de personagens em uma sala de aula da LDZ Escola de Artes, Rua do Lavradio, 84, Lapa, no Rio de Janeiro. Em contato com jovens que se identificavam com histórias de personagens que erram, aprendem e tentam novamente, Diaz encontrou em Pinóquio uma forma de falar sobre identidade e pertencimento. O que seria uma história curta ganhou elementos dos quadrinhos, dos jogos de aventura e da fantasia de capa e espada: Pinóquio se tornou um golem, Gepeto, um guerreiro aposentado e a trilogia recebe influências de Adventure Games, Excalibur, O Senhor dos Anéis e Dungeon´s and Dragons.
“Da obra de Collodi, quis recuperar a essência, a mentira, o arrependimento, o amor paterno e o desejo de ser real. Mas quis atualizar tudo isso com a linguagem dos videogames e dos quadrinhos”, explica o autor.
A história também se aproxima da vida de Diaz. Criado pela família paterna, ele não conheceu a mãe. Seu pai, o músico e compositor Karlinhos Dias, não foi tão presente quanto Gepeto é para Pinóquio. Ao escrever a relação entre os personagens, Lipe encontrou uma forma de dizer ao pai, ainda em vida, o que talvez não conseguisse expressar diretamente. “Tem muito de mim nesta versão. Meu pai era músico e compositor. O Pinóquio é, como eu, filho da arte”, diz.
No terceiro volume, o passado de Gepeto vem à tona enquanto o Golem-Pinóquio enfrenta uma decisão sobre a própria identidade. A narrativa reúne flashbacks, sonhos e viagens dimensionais, mas o autor destaca outro elemento: o leitor acompanha visualmente o processo criativo de Gepeto, da ideia e da arte conceitual à escultura do personagem. Assim, o ato de criar faz parte da trama.

“O leitor não recebe o Pinóquio pronto: ele vê o personagem sendo pensado, desenhado e moldado diante dos seus olhos. É uma forma de acompanhar como Gepeto transforma um trauma em arte, como o Pinóquio se torna humano”, afirma Diaz.
A realização independente ganhou um sentido ainda mais pessoal durante a produção. Após a pandemia, Diaz passou a morar com o pai pela primeira vez, já depois dos 40 anos. Foram seis meses de convivência, os últimos da vida dele. “Passei seis meses tomando café da manhã com meu pai sem imaginar que seriam seus últimos meses de vida. Tem muita verdade nessa HQ”, conta.
Com ilustrações de Gustavo Stumbo, ex-aluno da LDZ Escola de Artes Visuais, fundada por Diaz no Rio, o volume final terá 36 páginas coloridas. Os dois primeiros livros da trilogia, A Origem e A Espada Oculta, já estão concluídos. No terceiro, ainda faltam a finalização e impressão. Segundo o autor, o valor arrecadado também será destinado ao trabalho da equipe, à revisão, às recompensas, à embalagem, ao envio dos exemplares e às taxas da plataforma.
“Mais do que dinheiro, a meta de 200 apoiadores representa validação e comunidade. É a possibilidade de fazer o livro chegar às mãos de mais pessoas”, diz Diaz.
Entre as recompensas estão o terceiro volume físico, por R$ 45, e o conjunto dos três livros impressos, por R$ 120. Os nomes dos apoiadores serão incluídos em uma página de agradecimento da edição. No combo digital, é possivel adquirir as edições 1 e 2 por R$20.
SERVIÇO
Campanha: O Pinóquio Aventureiro 3: O Segredo Revelado
Prazo para apoiar: até 12 de outubro de 2026
Onde apoiar: catarse.com.br/pinoquio_aventureiro_3
Autor e editor: Lipe Diaz
Ilustração: Gustavo Stumbo
Cores: Geraldo Filho
Diagramação e letras: Edu Teller
Revisão: Miguel Felício
Formato: 21 × 29,7 cm, 36 páginas coloridas

