Doctrine está na porta do gol, o que esperar da nova temporada?
A conclusão do Ano 1 de Overwatch prometeu muito com a invasão dos Junkers a Busan, mas, infelizmente, essa premissa não sustentou a temporada inteira. Da metade para frente, o jogo virou uma mistura confusa entre a comemoração do álbum do LE SSERAFIM e a BlizzCon. A lore acabou sendo empurrada para as HQs em inglês da Webtoon, das quais muito pouco se salva, ou os quadrinhos narrados que são ótimos para sabermos um pouco mais dos personagens, impactando sim em interações durante o jogo e muito mais, dou pontos extras a quem disse que seria uma ótima ideia mudar algumas falas da Kiriko para representar o estado atual dela em equilíbrio com os irmãos Shimada e Mizuki.

A temporada deveria ter mantido o tema de Busan até o fim. Além disso, perdemos a oportunidade de ter pelo menos um mapa temporário dentro da Fábrica do Torbjörn, a atual base da Overwatch. A narrativa está bagunçada; parece que os vários departamentos da Blizzard estão agindo em total dissonância, sem conversar entre si, e isso reflete diretamente na baixa qualidade do produto final.
O potencial desperdiçado pela Blizzard
É inegável que a Blizzard tem um produto excelente nas mãos, mas a empresa peca — e muito — por não saber trabalhar o enorme potencial da sua própria propriedade intelectual (IP).
Não posso negar que o Passe de Batalha trouxe boas skins. No entanto, a seleção de visuais escolhidos para a temática “hackeada” foi, no mínimo, estranha. Embora a mecânica de poder trocar uma skin que não agrada seja uma novidade bem-vinda e com margem para evolução, ela falha em reter os jogadores a longo prazo. Muitos, inclusive, relataram certa dificuldade em concluir o passe.
Meu destaque positivo vai para a Moira: a estética Cyberpunk sempre cai muito bem na suporte da Talon. O mesmo vale para D.Va e D.Mon, que receberam skins que casam perfeitamente com a fantasia de suas personagens. Hana (D.Va) representa o novo e o rebelde, enquanto Yuna Lee (D.Mon) traz o peso do tradicional, com um modelo de MEKA e trajes repletos de detalhes que remetem a divindades coreanas.
Já na loja, a única novidade que manteve a barra de qualidade foi a colaboração com o LE SSERAFIM. Sendo jogadoras assíduas do título, o grupo ganhou um pacote com duas skins da raridade “Ultra” para D.Mon e Moira. Visuais musicais sempre trazem detalhes que cativam até quem não consome a banda representada, e aqui não foi diferente: o trabalho visual é excelente. Porém, a grande questão que fica é: havia real necessidade de classificar essas skins como “Ultras” e cobrar o preço que cobram?
SKINS MÍTICAS

Skins Míticas e o descaso com a comunidade
Eu “deitei” para a nova skin Mítica do Genji. Ela é belíssima, um ótimo trabalho da equipe de arte, onde você realmente sente a dualidade do personagem em uma nova forma, com efeitos visuais deslumbrantes e boas opções de personalização. A skin de arma da Sojourn também merece elogios.
Porém, precisamos puxar o elefante da sala: assim como a Widowmaker, o Genji já possuía uma skin Mítica. Por que não entregar esse cosmético para um herói que ainda não foi contemplado? Sabemos muito bem que, por ser um jogo gratuito, Overwatch precisa monetizar sua plataforma, frequentemente utilizando o FOMO (medo de ficar de fora) e reciclagens (recolors). Como muitos veteranos herdaram cosméticos do Overwatch 1 e não engajam tanto com os passes ou com a loja, obviamente o dinheiro precisa entrar de alguma forma.
Acredito que ouvir a comunidade, de vez em quando, faz-se necessário. Eu, por exemplo, gosto muito de jogar de Mercy e Juno. É extremamente depreciante ter que esperar uma eternidade, acumulando “moedas legado”, para que uma skin desejada finalmente apareça disponível para compra. Isso para não citar quando algum personagem ganha um cosmético gratuito na Galeria, mas que fica preso no servidor chinês, inacessível para o Ocidente.
Urge a necessidade da Blizzard acordar e perceber que, uma hora ou outra, a comunidade vai cansar e esvaziar o jogo. Com servidores que já mal dão conta dos poucos jogadores que se mantêm fiéis, fica difícil manter a fidelidade a um título que não recompensa quem o joga — a não ser que você esteja disposto a grindar de forma exaustiva ou abrir a carteira para comprar o conteúdo.


