Review — One Piece: O Filme

Nostalgia, dublagem brasileira e uma aventura do início da jornada

Originalmente lançado no Japão em 2000, One Piece: O Filme finalmente chega aos cinemas brasileiros mais de 25 anos depois, em um lançamento especial da Paris Filmes. A grande novidade para os fãs é que esta é a primeira vez que o média-metragem chega aos cinemas do país e com dublagem em português.

Antes da aventura principal, o filme ainda conta com um curta-metragem protagonizado por Jango, personagem inspirado em Michael Jackson. A sequência não tem relação com a história principal e funciona como um extra divertido para entreter o público antes do início do filme.

A história se passa antes dos acontecimentos do Baratie, quando Sanji ainda não fazia parte da tripulação. Dessa forma, acompanhamos Luffy, Zoro, Nami e Usopp em uma aventura independente, mostrando uma versão ainda inicial dos Chapéus de Palha.

Isso faz com que o média-metragem tenha uma sensação muito particular: é como assistir a um episódio especial perdido do começo do anime. A dinâmica entre os quatro personagens, o humor e a estrutura da aventura remetem diretamente aos primeiros momentos de One Piece, trazendo uma forte sensação de nostalgia para quem acompanha a série.

Para os fãs brasileiros, a dublagem é o grande destaque. Carol Valença como Luffy, Glauco Marques como Zoro, Tati Keplmair como Nami e Adrian Tatini como Usopp retornam aos seus respectivos personagens, utilizando as vozes que ficaram marcadas para o público na atual dublagem da série.

A versão brasileira também aproveita para inserir referências e brincadeiras tipicamente nacionais. Essas adaptações acrescentam um toque de humor às cenas e fazem com que a dublagem tenha uma identidade própria, sem deixar de lado o espírito descontraído de One Piece.

E falando em nostalgia, ouvir “We Are!” e “Memories” no cinema é, sem dúvida, um dos momentos mais especiais da experiência. As duas músicas estão diretamente ligadas aos primeiros anos do anime e ajudam a transportar o público de volta para o início da jornada de Luffy. Ouvi-las em uma sala de cinema torna o relançamento ainda mais especial para os fãs.

Por outro lado, é importante lembrar que estamos falando de uma produção de 2000 e de curta duração. A história é simples e avança rapidamente, sem muito espaço para desenvolver seus personagens ou apresentar uma trama tão elaborada quanto a dos filmes mais recentes da franquia.

Ainda assim, essa simplicidade combina com a proposta. One Piece: O Filme não precisa ser uma grande aventura dentro da franquia. Ele funciona melhor como uma pequena história dos primeiros Chapéus de Palha, quase como um episódio especial que poderia ter sido exibido durante o início do anime.

No fim, o filme entrega exatamente o que um fã pode esperar de uma experiência como essa: nostalgia. Rever Luffy, Zoro, Nami e Usopp em uma aventura dos primeiros anos da tripulação, ouvir as vozes brasileiras que conhecemos atualmente, se divertir com as referências da dublagem e escutar “We Are!” e “Memories” na tela grande fazem desse relançamento uma verdadeira viagem aos primeiros dias de One Piece.

Nota: 7/10.