Foto: Reprodução/Warner Bros.
Foto: Reprodução/Warner Bros.

TBO Scooby-Doo: encontro entre Buff, Mr. Bean e um cachorro em CGI

Como James Gunn antes da fama incluiu piadas sobre maconha em um filme infantil e ainda conseguiu uma sequência

“Scooby-Doo, onde está você?”

Tragam biscoitos Scooby porque o TBO de hoje vai relembrar um filme sobre o cachorro mais famoso da cultura pop. Neste ano foi lançada a animação “Scooby! O Filme” direto no streaming devido a pandemia do Covid-19, mas a turminha já deu as caras nas telonas anteriormente. Em 2002 chegava aos cinemas a versão live-action – mais ou menos – de “Scooby-Doo” com o filme homônimo. Com o roteiro de James Gunn e direção de Raja Gosnell, a película não é nenhuma obra de arte, mas vale a pena pela nostalgia e carisma da produção.

Imagine juntar o Scooby-Doo de CGI do início do século com a Buffy, o Mr. Bean, o Ghostface de “Pânico” (1996) e piadas sobre maconha em um filme para o público infantil? Bom, apesar dessa mistura peculiar, o filme consegue manter o espírito da animação criada em 1969 pelo estúdio Hanna-Barbera e que segue no imaginário até hoje. A obra até se assemelha a um episódio da animação esticado: a trupe de detetives acompanhada de um dogue-alemão que desvenda mistérios envolvendo supostos fantasmas e, de quebra, reforça a não existência do sobrenatural – ignorando o fato do cachorro falante a tira colo.

A caracterização está perfeita no que tange os protagonistas. Salsicha (Matthew Lillard) com sua inseparável camisa verde e cavanhaque; Velma (Linda Cardellini) tem seus óculos e o suéter laranja; Fred (Freddie Prinze Jr.) com lencinho laranja amarrado no pescoço; e Daphne (Sarah Michelle Gellar) sempre na moda, sem jamais abandonar a cor roxa – apesar do corretivo estourado nas maquiagens das meninas. Enquanto ao Scooby (Neil Fanning), a produção acertadamente opta por mantê-lo cartunesco o que facilita nas expressões – dá vontade, né “Rei Leão” (2019)? – e também acentua a doçura e inocência do personagem.

A ruptura

Porém, a dinâmica em grupo não dura muito e nos primeiros minutos do longa, as atitudes e desejos individuais causa a separação da “Mistérios S.A”. Isso acontece porque Daphne está desesperada para se empoderar e deixar o estigma de donzela em perigo. Enquanto isso, Fred está afogado em sua arrogância, o que resulta em uma Velma louca para ter seu trabalho reconhecido e frustrada por não obter os créditos.

Sem chegar a um consenso, o trio acaba abandonando a sociedade para cada um trilhar seu próprio caminho. Deixando com a “máquina de mistérios” o inocente e cativante Scooby e a larica habitual do Salsicha.

A volta

Após dois anos, o grupo se reúne involuntariamente quando o espalhafatoso dono da Ilha do Espanto, Emile Mondavarious (Rowan Atkinson), manda um convite para os membros da turminha. Mondavarious quer que os detetives descubram o motivo dos jovens ficarem “estranhos” após frequentarem sua ilha.

Foto: Reprodução/Warner Bros.
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As meninas têm mudanças de status, já os meninos nem tanto. Enquanto Velma trabalha na Nasa e Daphne se torna faixa preta em Karatê, Fred continua com ego inflado e divulga seu livro “Fred x Fred: as várias faces de mim”. Salsicha e Scooby-Doo mantem a amizade, longe do sobrenatural, mas próximos das mais variadas comidas.

Ao chegar na ilha Salsicha logo se encanta pela meiga Mary Jane (Isla Fisher) – uma clara referência a marijuana – e, no meio disso, a turma vai aos poucos juntando as peças do quebra-cabeça.

Plot-twist desnecessário

Desde o princípio a inclusão de Scooby-Loo (Scott Innes) é desrespeitosa com o personagem das animações. Nos desenhos, o pequeno cachorrinho – e sobrinho de Scooby-Doo – é valente e decidido – às vezes até demais -, mas tem bom caráter. No filme, por outro lado, Loo é introduzido em um flashback forçado e sem necessidade. Nesta pequena cena, o cachorrinho é narcisista, quer ser o líder do grupo e ainda “marca o território” na Daphne.

Foto: Reprodução/Warner Bros.
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Mas não para por aí, em um plot-twist horroroso, Scooby-Loo é revelado como o grande vilão vingativo da história. O cachorro precisa da alma inocente de seu tio para se transformar em um monstro e dominar o mundo.

Outro ponto negativo desta decisão é a inclusão real do sobrenatural. Enquanto em todas as versões da animação, a trama subverte a ideia de criaturas extranaturais, o filme abraça a questão, mas as explicações são rasas.

Nostalgia

Apesar disso, o filme melhora bastante pela nostalgia. Além disso, o talentoso elenco – vide a recém-indicada ao Emmy, Linda Cardellini – e o roteiro do então inexperiente, James Gunn conferem brilho a obra. O espírito aventureiro e a procura por mistérios estão ali. O humor pastelão – com algumas piadas que não se encaixam – também. Os planos sempre elaborados, mas nunca eficientes permanecem. As trapalhadas e o êxito da solução dos mistérios encerram o arco.

Bom destacar que, desta vez, ao invés de se limitar a ser a isca, após o plano falhar e quase todos fracassarem em tentar salvar Scooby, é Daphne que derrota os vilões e salva a todos. Girl power, meus bacanos!

Foto: Reprodução/Warner Bros.
Foto: Reprodução/Warner Bros.

Para quem quer ativar ainda mais a nostalgia, a versão dublada é uma boa pedida. Em seu elenco, temos a inigualável voz de Orlando Drummond que faz o Scooby-Doo há décadas e grande elenco. Outro ponto positivo é que do contrário de filmes da mesma época, o CGI do filme não envelheceu tão ruim quanto esperado, então não chega a ser algo que vá atrapalhar na imersão.

“Scooby-Doo” vale mais pela nostalgia do que pela qualidade, mas após 18 anos, conseguiu manter o carisma.

 

Filme: Scooby-Doo (Idem, EUA/Austrália – 2002)

Direção: Raja Gosnell

Roteiro: James Gunn (baseado em história de Craig Titley e James Gunn e personagens criados por Joe Ruby e Ken Spears)

Elenco: FreddieS Prinze Jr., Sarah Michelle Gellar, Matthew Lillard, Neil Fanning, Linda Cardellini, Rowan Atkinson, Isla Fisher, Miguel A. Núñez Jr., Steven Grives, Charles Stan Frazier, Craig Bullock, Matthew Murphy, Mark McGrath, Rodney Sheppard, Sam Greco, Charlie Cousins, Kristian Schmid, Nicholas Hope, Scott Innes, Sugar Ray, Pamela Anderson

Duração: 86 min.

Foto: Reprodução/Warner Bros.
Scooby-Doo
Dois anos depois de separarem-se após resolverem seu último caso, a equipe da Mystery Inc. une-se para investigar estranhos acontecimentos em um parque mal-assombrado chamado Spook Island. A atração parece assombrar jovens visitantes de maneiras muito estranhas, mas cabe a Scooby, Salsicha e todo o grupo desvendar o mistério.
Atuação
Direção
Efeitos Especiais
Roteiro
Trilha Sonora
2.3
Notas
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