Foto: Reprodução Paramount Pictures
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TBO Meninas Malvadas: reflexão transvestida de comédia pastelão

Vamos logo, otária: nós vamos descascar em camadas esse filme

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Às quartas-feiras, nós usamos rosa e nas quintas-feiras nós relembramos um filme no TBO. E desta vez, vamos falar de um filme de 2004 cheio de frases e personagens icônicos e que já é um clássico moderno dos cinemas. Hoje não é 3 de outubro, mas é dia de falar sobre “Meninas Malvadas”. Bom, para começar a falar sobre a obra, primeiro vamos deixar claro o que ela não é: o filme não é um clichê adolescente do início dos anos 2000. Não é mais um besteirol americano. Não é um romance água com açúcar. Mas também não é um filme super complexo. Não é um filme cult.

Então o que seria Meninas Malvadas”? Bom, eu arriscaria dizer que é uma mistura de tudo isso e, ao mesmo tempo não é nada disso. O roteiro de Tina Fey é recheado de ironias e ótimas piadas ao ponto que também quebra esteriótipos e reverte paradigmas. Meninas Malvadas” é baseado no livro “Queen Bees and Wannabes”, de Rosalind Wiseman, que fala justamente sobre os grupinhos que se formam no Ensino Médio.

Propaganda enganosa

Os primeiros minutos de “Meninas Malvadas” parecem construir uma trama já desgastada no cinema adolescente. São estabelecidos personagens a primeira vista caricatos e clichês, como a protagonista boazinha, recém chegada e disposta a mudar a tirania dos alunos populares, Cady Heron (Lindsay Lohan). Também conhecemos a antagonista Regina George (Rachel McAdams), a.k.a., “o mal em figura de gente”, uma patricinha que todo colégio quer ser amigo, ao mesmo tempo que a temem. Como toda boa vilã, Regina conta com suas minions: Karen Smith (Amanda Seyfried) e Gretchen Wieners (Lacey Chabert), sendo a primeira o esteriótipo de amiga bonita e burra e a segunda é a dona das informações de todo colégio. Além deles, há também os primeiros amigos da Cady na nova escola: James Ian (Lizzie Caplan) e Damian Leigh (Daniel Franzese), respectivamente a garota com visual emo e o amigo gay. Também tem a professora que tenta ser descolada, Srta. Norbury (Tina Fey). Fechando o combo dos clichês há o interesse amoroso: Aaron Samuels (Jonathan Bennet), o típico atleta que não é muito esperto, mas tem bom coração.

Foto: Reprodução Paramount Pictures
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Apesar de a primeira vista os personagens parecem clichês, é perceptível que todos possuem camadas de desenvolvimento que não os limitam apenas aos esteriótipos – exceto Karen, talvez. Além disso, o que parece ser mais um filme fomentando a rivalidade feminina no Ensino Médio, com o decorrer da trama se mostra o total oposto. Além de uma crítica aos roteiros que colocam mulheres contra as outras por causa de um homem, “Meninas Malvadas” é uma sátira inteligente e ao mesmo tempo leve sobre o convívio no Ensino Médio e a necessidade de se sentir incluso em um grupo na adolescência, além de criticar os padrões impostos. Aqui, o filme apresenta os clichês, para depois os desmontar. Sem contar no teor feminista e no discurso de sororidade que é passado sem panfletagem e, serve para reflexão do público.

Foto: Reprodução Paramount Pictures
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Contudo, “Meninas Malvadas” é uma crítica social disfarçada de uma comédia pastelão. Você vai assistir pensando em dar apenas boas risadas e termina o filme refletindo sobre diversos pontos – e dando bastante risadas.

Um marco

Mesmo após 16 anos de seu lançamento, as frases do longa continuam presença recorrente nas redes sociais. Seja ao postar uma foto com a legenda “às quartas-feiras usamos rosa”, ou ao relembrar todo ano a importância do dia 3 de outubro.

“Em 3 de outubro, ele me perguntou que dia era.”

Ou como se esquecer da tentativa frustrada de Gretchen em fazer seu bordão popular? “That’s so fetch” – ou “Isso é tão barro” em PT-BR – pode não ter agradado Regina George, mas essa que vos fala continua fazendo justiça a frase até hoje.

“Regina George trai o Aaron Samuels toda quinta na sala de projeção em cima do auditório”.

A direção do longa ficou por conta de Mark Waters que apresentou um trabalho eficiente, e junto do roteiro com diálogos e situações afiadas de Fey, conseguiu transformar a obra em referência até hoje.

Foto: Reprodução Paramount Pictures
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Apesar dos elogios, Meninas Malvadas não foi necessariamente pioneira na quebra de esteriótipos. A fórmula já havia sido usada anteriormente em “As Patricinhas de Beverly Hills” (1995), que também flertava com críticas ácidas aos padrões da adolescência ao passo que tratava o assunto com humor. E, assim como Meninas Malvadas, também caiu no gosto popular.

Síndrome de Regina George

Talvez o principal ponto negativo do filme não seja culpa dele, mas de interpretações sobre a obra. Isso porque, apesar de ter se redimido ao fim, o carisma de Regina George cativa muita gente que acaba a tendo de exemplo. Há até uma romantização da personagem por algumas pessoas que confundem as humilhações que a personagem faz como personalidade forte. Muitas pessoas, inclusive, buscam replicar o jeito, esquecendo-se que a própria personagem se arrepende de seu comportamento.

Foto: Reprodução Paramount Pictures
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Apesar disso, o filme segue atual e firme e forte no imaginário popular. Meninas Malvadas prova resistir ao tempo, graças aos seus assuntos a frente de seu tempo, seu elenco carismático e roteiro assertivo. Agora, “Vamos logo, otária. Nós vamos fazer compras”.

 

Filme: Meninas Malvadas (Mean Girls) – Estados Unidos/2004
Direção: Mark Waters
Roteiro: Tina Fey
Elenco: Amanda Seyfried, Lacey Chabert, Lindsay Lohan, Lizzy Caplan, Rachel McAdams, Tina Fey, Daniel Franzese, Ana Gasteyer.
Duração: 97 min

Foto: Reprodução Paramount Pictures
Meninas Malvadas
A adolescente Cady Heron foi educada na África pelos seus pais cientistas. Quando sua família se muda para os subúrbios de Illinois, Cady finalmente vai para escola pública e recebe uma rápida introdução às leis tácitas de popularidade que dividem seus colegas. Sem querer, ela encontra-se no meio de um grupo de elite de estudantes apelidados de Os Plásticos, mas Cady logo aprende porque o seu novo grupo de amigos ganhou este apelido.
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Edição
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