The Get Down: Parte 2 | Crítica

Análise da segunda parte de Netflix’s The Get Down. Confira a ficha técnica da série:

Nome do Seriado: The Get Down

Estreia: 07 de abril de 2017

Direção: Baz Luhrmann

Elenco: Jaden Smith, Justice Smith, Shameik Moore, Herizen Guardiola, Skylan Brooks, T. J. Brown, Jimmy Smits

Distribuidora: Netflix

Sinopse:

Ambientada em Nova York durante o ano de 1977, The Get Down conta a história de como, à beira das ruínas e da falência, a grande metrópole deu origem a um novo movimento musical no Bronx, focado nos jovens negros e de minorias que são marginalizados. Entre a ascensão do hip-hop e os últimos dias da Disco Music, a história se costura ao redor das vidas dos moradores do Bronx e de sua relação com arte, música, dança, latas de spray, política e Manhattan.

Diferente de muitas séries da streaming Netflix, The Get Down possui um sistema totalmente inovador e diversificado proposto pelo criador da série, Baz Luhrmann. Falamos sobre a primeira parte e curtimos o que vimos, mas será que a parte dois como um hiato valeu a pena? Pode apostar que Luhrmann fez a escolha certíssima!

Fomos apresentados novamente a Ezekiel “Books” Figuero (Justice Smith) e seus ‘irmãos’ – Marcus “Dizzee” Kipling (Jaden Smith), Boo-Boo (T. J. Brown) e Ra-Ra (Skylan Brooks). Entretanto, a trama se concentra em seu traficante melhor-amigo, Shaolin Fantastic (Shameik Moore) e suas aventuras em busca da música. O que difere entre a primeira e segunda parte é evidenciada logo no começo; um grupo de MC’s e DJ formado, sem aquela busca incessante e desenfreada do saber, o aperfeiçoamento musical e relações muito mais profundas/complexas. Onde os aspectos negativos da primeira parte foram aprimorados graças ao feedback do público e crítico. Um dos destaques desse complemento é a total ousadia oferecida ao telespectador que acompanha com certo receio e emoção, dado que as drogas, palavrões e cenas de cunhos sexuais são usadas de modo contínuo. Aquela inocência da primeira parte foi embora!

Em questão de ambientação, manteve um padrão de identidade. Isso faz com que a série tenha uma identidade própria e que traz o “algo a mais” para ela, é de suma importância para um show televisivo hoje em dia. Ela se aproveita bem disso e tudo conspira a favor da série, evidenciando suas edições. Nem tudo é um mar de rosas, assim foi o início da edição com cortes acelerados e desconfortantes – dá nervoso ao ver, entretanto, logo foi suavizando. Eles usaram e abusaram da câmera giratória, ou melhor, 360º nesta parte; promovendo todo espaço utilizado na produção. E o que é bastante ousado adotar um sistema novo de animação para uma série mais séria – dado ao fato do Dizzee ser grafiteiro.

Em produção musical, foi espetacular ver clássicos sendo citados e cantados, como por exemplo “September” da banda R&B Earth, Wind & Fire, e Bee Gees marcando presença. Eles não deixaram o tom cair, pois para uma série de música é muito importante manter o estilo. Como ‘The Get Down’ é um arranjo de vários gêneros musicais, sendo “arranhado” ou até mesmo achando uma batida diferenciada sobre a canção, faz com que a playlist aumente. Amantes de composições rústica vão adorar a série nessa segunda parte, já que ela contém muito mais o jazz e o espírito que a primeira parte.

As relações entre os personagens continuam a mesma. Zeke e sua amada, Mylene Cruz (Herizen Guardiola), continuam tendo seu amor à prova com vários obstáculos, o ápice da série que vira ser romântica em ocasiões bastante presentes.  A difícil situação – ainda presente hoje em dia – sobre homens brancos e negros convivendo no mesmo espaço é abordada mais uma vez. Há certos furos lógicos e sequências de cenas mal sucedidas, as quais possuem um desenrolar breve ou super irrelevante se for olhar no contexto. Enfim, tudo está meramente encaixado com cenas de suspense que conseguem prender e acertar o telespectador. As emoções são presenciadas de um modelo único, todavia ainda há certos acontecimentos que parecem novela (citado na primeira análise). Em geral, as atuações foram boas e mesmo com algumas cenas mal sucedidas, citadas a cima, transmitem um espetáculo para o público.

“Conforme avançamos no tempo [do verão de 1977 para o fim de 1978], o estilo da série ganha um pouco mais de complexidade. É sobre o sentimento deles, sua humanidade, seus relacionamentos, suas paixões, seu desejo de estarem juntos, o desejo de serem criativos e, acima de tudo, o desejo de tornar-se alguém”

Diante dos fatos supracitados, The Get Down aparentemente conseguiu passar tudo que queria nessa primeira temporada; as músicas, relações pessoais, ambientação, atuação, críticas sociais e desavenças com os antagonistas, tudo isso, conseguiu ser lançado ao público devido suas limitações. A história do Hip-Hop e suas interações são completamente bem argumentas de modo despojado e inovadora ao que presenciamos hoje em dia nas séries. Ela abre margem a uma segunda temporada, e queremos que chegue logo! Uma ótima produção original Netflix.

Volney Tolentino

Designer Gráfico, Editor, Técnico de Mecânica Industrial, Nerd, Geek, Hipster Incubado, Fundador da Wing_Storm Entertainment, Protestante, Torcedor do New England Patriots, Los Angeles Lakers e Clube de Regatas do Flamengo e Dono na Thyskens Productions.

Estamos ao vivo!
CURRENTLY OFFLINE