Análise sobre o filme “Michael”, da Universal Pictures (a convite da própria), aqui no site Cebola Verde. Confira a ficha técnica da trama:
Nome: Michael
Estreia: 23 de abril de 2026 – 2h 08min
Direção: Antoine Fuqua
Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long
Distribuidora: Universal Pictures
Gênero: Biopic, Drama, Musical
O filme conta a história de Michael Jackson além da música, traçando sua jornada desde a descoberta de seu talento extraordinário como líder do Jackson Five até o artista visionário cuja ambição criativa impulsionou uma busca incessante para se tornar o maior artista do mundo. Destacando tanto sua vida fora dos palcos quanto algumas de suas performances mais icônicas de sua carreira solo inicial, a produção oferece ao público uma visão do astro como nunca se viu antes.
A cinebiografia de Michael Jackson, dirigida por Antoine Fuqua, chega aos cinemas com o peso de uma expectativa impossível. De um lado, a promessa da Universal Pictures de entregar a “história definitiva”; de outro, o espólio do Rei do Pop vigiando cada frame. O resultado é um filme visualmente acachapante, mas emocionalmente blindado.
Não há como negar: Jaafar Jackson entrega uma performance transformadora. Não é apenas a voz ou a coreografia; ele captura a fragilidade quase etérea do tio e a explosão de energia que mudou a história da música.
As sequências de palco — especialmente a recriação da era Bad e o surgimento do Moonwalk no especial de 25 anos da Motown — são filmadas com uma grandiosidade que justifica o ingresso. Para o fã, o filme funciona como um concerto de luxo, uma celebração vibrante de um catálogo musical inigualável.
A grande falha de Michael, no entanto, reside naquilo que ele escolhe não dizer. Ao tentar equilibrar a humanidade do artista com a manutenção de seu mito, o roteiro de John Logan parece recuar sempre que encosta em feridas profundas. Ou seja, uma superficialidade Temática: o filme aborda os traumas da infância e o escrutínio da mídia, mas o faz de forma episódica.
Há uma cautela narrativa. Existe uma sensação palpável de que a produção teve medo de algo superior — seja a reação do espólio, a ira da base de fãs ou a complexidade moral que não cabe em uma estrutura clássica de três atos. As controvérsias mais densas da vida do cantor são tratadas com uma lente de vitimização que, embora válida dentro da perspectiva do protagonista, impede o filme de ser uma obra de cinema verdadeiramente provocativa. O filme brilha quando foca no artista, mas empalidece quando precisa enfrentar o homem.
Michael é, declaradamente, um filme feito para fãs. Ele não busca desconstruir o ídolo, mas sim reafirmar o seu trono. Se você procura uma imersão técnica na evolução do pop e uma homenagem estética impecável, o filme é um triunfo.
O longa é uma experiência sensorial poderosa que reafirma o impacto cultural de Michael Jackson, mas falha como biografia ao se recusar a mergulhar nas sombras que tornariam a luz do artista ainda mais real. É um espetáculo magnífico, mas que caminha com cuidado excessivo para não derrubar o pedestal que ele mesmo construiu.



