Análise sobre o filme “Skinamarink: Canção de Ninar”, da A2 Filmes (a convite da própria), aqui no site Cebola Verde.
Confira a ficha técnica da trama:
Nome: Skinamarink: Canção de Ninar (Skinamarink)
Estreia: 23 de março de 2023 – 1h 30min
Direção: Kyle Edward Ball
Elenco: Lucas Paul, Dali Rose Tetreault, Ross Paul, Jaime Hill
Distribuidora: A2 Filmes
Gênero: Terror
É inevitável que o gênero de terror tem passado por mudanças e tais mudanças procuram retirar o clichê que temos visto ao longo dos anos. Kyle Edward Ball é mais um diretor e roteirista que trabalha com essa vontade de mudança. Tirar o previsível é muito importante para um gênero como esse, pois nunca sabemos o que esperar do “inimigo”. Mas será que Skinamarink consegue retirar tal clichê? A resposta é sim, mas talvez tal ousadia não funcione ao grande público.
Após um acidente bizarro, uma menina de seis anos e seu irmão de quatro anos acordam uma manhã e descobrem que todas as portas e janelas dentro de sua casa desapareceram. Todos os telefones estão mudos e o cabo também. O pai deles também está desaparecido. Para lidar com a situação estranha, os dois trazem travesseiros e cobertores para a sala e se acomodam em uma festa do pijama tranquila. Eles reproduzem antigas fitas de vídeo de desenhos animados para preencher o silêncio da casa e distrair da situação assustadora e inexplicável. O tempo todo na esperança de que eventualmente alguns adultos venham resgatá-los. Depois de uma noite dormindo na casa lacrada, coisas estranhas começam a acontecer. As coisas desaparecem. Sons estranhos emanam do andar de cima. As luzes se apagam sozinhas. Depois de um tempo, fica claro que algo está cuidando deles.
Bem, com uma edição granulada, objetos icônicos dos anos 90, o filme se passa 1995, o que reflete diretamente em ações, linguagem e trejeitos da trama. Entretanto, pouco há de se ver diretamente, já que a direção se preocupa em “não-mostrar” os personagens. Isso acaba sendo bem sucedido no primeiro ato do filme, o qual a qualquer momento poderia aparecer um perigo ao protagonista, mas volto a destacar, quem são os protagonistas até então? Há de se saber que são crianças, mas não as vemos. Depois do primeiro ato, tal ousadia do diretor Kyle Edward, o filme fica maçante e com inúmeros tempos mortos. Sem muita objetificação.
A mensagem que o filme supostamente quer passar é sobre os abandonos de crianças, sem pais e nem mães, e o quanto isso é perigoso para nossa sociedade. Talvez tais perigos que raramente acontecem em 1 hora e 30 minutos de filme (o que fica super maçante) sejam apenas imaginações das crianças abandonadas pelos pais. Por isso a proposta seria válida como curta, mas não com esse tempo todo de tela. Os atos sobrenaturais são apenas pequenas ações e não dizem muito para que vieram.
Por isso, Skinamarink tenta inovar e ser ousado até demais, mas no fim, o filme acaba sendo apenas uma boa proposta no papel e ruim na prática.



