Heartstopper | Análise

Porque todos deviam estar vendo Heartstopper!

Análise sobre a primeira temporada de “Heartstopper”da Netflix, aqui no site Cebola Verde. Confira a ficha técnica da trama:

Nome: Heartstopper

Estreia: Desde 2022 – 50min em média

Criado: Alice Oseman

Elenco: Kit Connor, Joe Locke, Corinna Brown

Distribuidora: Netflix

Gênero:  Drama, Romance

Obs.: A análise foi escrita pelo redator Matheus Sanches.


Em 2010 saia no Brasil o curta-metragem “Eu não quero voltar sozinho”, o filme foi um grande marco na época pela forma que retratava uma relação adolescente homoafetiva e ganhou bastante visibilidade aqui e lá fora de forma que tivemos 4 anos depois um longa-metragem intitulado “Eu não quero voltar sozinho”, que expande ainda mais a obra original. Em entrevista de Making of, Daniel Ribeiro (diretor e roteirista do filme) comentou a importância de vermos uma história de descoberta de sexualidade em um mundo quase fantasioso onde o preconceito e a homofobia não eram questões. Quando terminei de assistir Heartstopper, nova série da Netflix baseada nos quadrinhos de Alice Oseman, essa entrevista me veio à cabeça.

A série, apesar de retratar com muita pureza e delicadeza relacionamentos queer, ela ainda não chega a ser fantasiosa ao ignorar problemas como a homofobia, transfobia, etc. Mas seu grande atrativo é não tornar esses temas o centro de sua narrativa. Apesar de ser um romance dos mais clichês, a história subverte vários pontos que nós, espectadores, estamos acostumados. Mas que pontos são esses?

Quando vemos alguma obra que de alguma obra que apresente um casal homoafetivo, já temos aquele aperto no coração achando que qualquer coisa de muito ruim vai acontecer com algum deles. Isso não é à toa. Um tropo é uma convenção narrativa utilizada para descrever uma situação recorrente, o que muitas pessoas reconhecem como clichês, um dos tropos mais recorrente é um chamado ‘Bury your gays’ (Enterre seus gays, em livre tradução), que segundo o TV Tropes (uma espécie de enciclopédia online de tropos), é o termo utilizado quando e personagens  LGBTQIA+ são mortos com uma frequência desproporcional e/ou sem justificativa. Nós estamos tão acostumados com esse tipo de história que ao mesmo tempo que torcemos pelos casais da série, tememos pelo o que pode acontecer com eles. Até entendermos depois de muito tempo que não é esse tipo de história que estamos acompanhando.

Netflix 2022

Mas então se a história não está presa às convenções de um romance LGBTQIA +, ela se rende a narrativa de um romance clichê convencional? Sim e não. Umas das ferramentas mais comuns nesse tipo de história é fazer com que os conflitos se desenvolvam a partir da falta de comunicação entre os personagens, a série foge disso, quando algo análogo parece estar acontecendo na verdade são apenas os personagens tentando entender a situação antes de externalizar de forma consciente. Ela definitivamente foge de outro dos clichês de narrativas queer que é a ultrassexualização dos personagens, aqui o foco é no sentimento genuíno que desperta de diversas formas, seja por novos amigos que sentem que a amizade pode ser mais que uma amizade ou amigos antigos que passam a olhar de forma diferente um para o outro, o sentimento de se sentir incluso e pertencente nos ciclos sociais e até mesmo o ciúmes e instinto de preservação daqueles que amamos.

Sim, algumas dessas situações são clássicas em histórias de romance, mas essa também é uma história de amizade de autodescoberta, e não entenda autodescoberta como apenas descoberta de sexualidade, afinal estamos falando de adolescentes que têm que lidar com um turbilhão de novos sentimentos.

Para mim a grande força de Heartstopper está aqui, nesses sentimentos tão confusos e complexos sendo retratados com seu devido respeito, e mesmo que simples, faz com que o espectador não consiga parar de assistir, é impossível não se conectar com nenhum personagem seja você LGBTQIA + ou não.