“Terra Estrangeira” completa 25 anos

Como parte das comemorações, a nova versão em 4K terá sessão na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

“Terra Estrangeira”, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas volta à tela grande em cópia restaurada em 4k, com a primeira exibição no Brasil na 45ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A sessão, em comemoração aos 25 anos do filme será realizada no dia 23 de outubro no Espaço Itaú Augusta e terá a presença dos diretores e de integrantes da equipe do filme.

“Terra Estrangeira” foi restaurado em 4k pela VideoFilmes, em 2021, a partir dos negativos originais de imagem 16mm, digitalizados em alta resolução no laboratório francês Éclair. A marcação de luz foi supervisionada por Walter Carvalho. O áudio foi remasterizado para o formato 5.1 a partir da mixagem original do filme no formato Dolby Stereo no Estúdio JLS. O restauro foi coordenado por Patricia di Filippi.

Um dos marcos da retomada do cinema brasileiro, lançado em 1995, “Terra Estrangeira” tem lugar especial na cinematografia dos diretores: “O filme nasce como uma reação ao silêncio forçado do desgoverno Collor, e de 25 anos de ditadura militar. É um filme regido pelo desejo urgente de refletir quem nós éramos naquele momento de nossas vidas, e de participar do renascimento da cinematografia brasileira “, relembra Walter Salles. Daniela Thomas comenta o que a motivou no projeto “sou apaixonada por cinema e pela ideia de fazer cinema desde sempre. “Terra Estrangeira” foi a perfeita realização desse sonho. Éramos uma pequena turma de aficcionados, liderados pelo cinéfilo-mor, Walter Salles, focados na realização de um filme que ao mesmo tempo expressasse essa paixão e refletisse o estado de coisas no nosso país.”

Rodado em quatro semanas, em três continentes, as filmagens tiveram equipe reduzida como em um documentário. “Pensamos o filme todo antes, mas não paramos de improvisar ao longo da filmagem. Foi um processo único”, conta Walter Salles. E Daniela complementa, “nós desejávamos que o filme tivesse um tamanho e agilidade de produção proporcionais ao momento econômico que vivíamos. Foi intenso e extremamente prazeroso. Acho que esse momento inspirador que vivemos ficou impresso na tela. Éramos felizes e sabíamos.”

“Terra Estrangeira” foi um filme regido por um estado de urgência, e por falar com precisão sobre um período de crise profunda do país. “Em pleno caos dos anos Collor, uma imagem em preto e branco se cristalizou na mente, e não parava de ecoar: a de dois jovens frente à um navio emborcado na areia, num país distante. Pouco a pouco, foi ficando claro que aquela cena refletia formas distintas de exílio: político, econômico, afetivo. É a imagem que contém o filme como um todo. Com a derrocada econômica, o Brasil deixou de ser um país de imigração e se transformou em um país de emigração. Cerca de 800 mil pessoas deixaram o país naquele momento. Os personagens de Alex (Fernanda Torres) e Paco (Fernando Alves Pinto) nascem desse ponto de inflexão de nossa história.”, conclui Walter Salles.

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