PRIMAVERA EM CASABLANCA estreia nesta quinta, dia 12 de julho

Dirigido por Nabil Ayouch, filme entrelaça histórias de cinco personagens e suas desilusões.

Casablanca é palco de distintas trajetórias em “PRIMAVERA EM CASABLANCA”, do cineasta Nabil Ayouch, que estreia nesta quinta-feira, 12 de julho na cidade de São Paulo, distribuído pela California Filmes. Entre o passado e o presente, cinco destinos estão inconscientemente interligados: Hakim (Abdelilah Rachid), que vive na parte conservadora da cidade, sonha em ser uma estrela do rock;  Salima (Maryam Touzani) luta para se libertar de uma sociedade que a quer definir; Joe (Arieh Worthalter), um judeu dono de restaurante, escolhe viver na Casablanca de suas fantasias, distorcendo sua realidade; a jovem e rica Inès (Dounia Binebine) está dividida entre tradição e modernidade, enquanto lida com o despertar sexual. E mais de três décadas antes, um apaixonado professor nas montanhas Atlas é silenciado… Através do eco de seus sonhos destroçados, as desilusões dos personagens dão vida às faíscas que irão incendiar essa cidade.

  • Abdallah, Salima, Joe, Hakim e Inès são seres que alguns desejam destruir e esmagar. Ainda assim, são a representação da esperança, pois cada um personifica a diferença ou o desafio interno que nos mantém vivos. Eles são pessoas comuns, que encontramos no dia a dia e que se tornaram, no meu ponto de vista, heroicos – explica o diretor, que esteve no Brasil durante o Festival Varilux de Cinema Francês para apresentar o filme, ao lado da atriz Maryam Touzani.

Segundo Ayouch, o gatilho para fazer o filme veio a partir do assédio e os ataques que ele e o elenco sofreram depois do filme “MUITO AMADAS”. “No Marrocos, onde vivo, testemunhei a sociedade evoluir de um tipo de vida em comunidade para uma exclusão sectária de todos aqueles que não se encaixavam nos moldes. Quando lidando com temas sensíveis, o limite pode ser ultrapassado pelas massas, passando de ouvintes atentos à condenação, e, então, violência. Senti que era urgente falar abertamente e mais do que nunca, jogar uma luz sobre o que está ocorrendo. Sempre senti que era necessário falar sobre o que machuca e do que queremos manter distância. Eu gosto de ter personagens de quem a sociedade tenta tirar a voz e deixar invisível, os empurrando para a marginalidade”, revela.

O diretor quis ir ainda mais fundo, explorando a alma silenciosa da maioria, cujas vozes ainda não falam alto o suficiente para reivindicar seus direitos. “Grandes revoluções começam com modestas e pequenas revoluções individuais. O que aconteceu na Primavera Árabe de 2011 é, na realidade, uma soma de vários fatores: uma série de frustrações, humilhações, um desrespeito total dos direitos civis básicos e a retirada dos mesmos. Esses movimentos de pessoas espalhados que derrubaram regimes foram feitos de homens e mulheres que no começo tiveram sua própria e íntima revolução antes de expressar sua raiva nas ruas. Queria aprender mais sobre essas pessoas, para aprender o que empurrou algumas para resistir e outras a renunciar”.

Volney Tolentino

Jovem dinâmico, que detém o poder central dos Cebolas Verdes; Um clã no interior (sigilo) da imensa África Subsaariana. Sua missão é fazer o bem como designer, crítico de cinema, professor de inglês e amante esportivo.

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