Noite Passada em Soho | Crítica

Thriller elegante e sombrio

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Análise sobre o filme “Noite Passada em Soho”, da Universal (a convite da Universal Pictures), aqui no site Cebola Verde. Confira a ficha técnica da trama:

Nome: Noite Passada em Soho (Last Night in Soho)

Estreia: 18 de novembro de 2021 – 1h 57min

Direção: Edgar Wright

Elenco: Thomasin McKenzie, Anya Taylor-Joy, Matt Smith (XI)

Distribuidora: Universal Pictures

Gênero: Terror, Suspense


Aviso de gatilho: o filme conta com cenas de agressão e abuso sexuais que podem ser sensíveis para alguns públicos.

O novo longa de Edgar Wright (Scott Pilgrim Contra o Mundo, Baby Driver) já vinha chamando a atenção no seu material de divulgação pelo lindo visual e uma sinopse intrigante. Na trama acompanhamos Eloise, interpretada por Thomassin McKenzie (Jojo Rabbit), uma jovem que deixa a sua casa no interior da Inglaterra para estudar moda em Londres. No seu quarto na nova cidade, Eloise se vê acompanhando a vida de Sandie, interpretada por Anya Taylor-Joy (O Gambito da Rainha), uma jovem aspirante a cantora que viveu nesse mesmo quarto nos anos 60. Eloise, com esse dom paranormal, transita entre os dias atuais e os anos 60 a fim de desvendar mistérios e crimes que acompanharam Sandie. Eloise cria um forte vínculo com Sandie, porém quanto mais ela vive na pele de Sandie menor fica a linha que distingue os acontecimentos passados e presentes.

Nesse longa, que foge um pouco dos habituais estilos do diretor, ele consegue combinar bem toda sua excentricidade na direção, e como sempre, exibe sua habilidade de mesclar uma ótima trilha sonora com o ritmo das mais variadas cenas enquanto incorpora elementos como moda, o tratamento da figura feminina na sociedade e o suposto glamour da vida em grandes cidades. A forma como ele integra cada elemento da composição de cena com a trama é impressionante, vai desde o uso dos reflexos, do figurino até a iluminação, nada é somente pela beleza estética, mas cumprem um papel fundamental na relação entre os diferentes tempos e as diferentes personalidades das protagonistas enquanto também criam tensão e fascinação.

O elenco está recheado com grandes nomes, como Matt Smith (Doctor Who), Diana Rigg (Game Of Thrones) que infelizmente nos deixou ano passado, e a própria Anya Taylor-Joy que ganha cada vez mais espaço em Hollywood. Mas o destaque mesmo é de Thomasin McKenzie, que mesmo não sendo tão conhecida possui um currículo de peso e entrega uma das suas melhores performances nesse filme. A forma como vemos a crescente de Eloise tentando se encaixar nessa nova vida na cidade grande, e que encontra inicialmente Sandie com a mentora perfeita, se tornando um espelho da mesma nos dias atuais mas que se deixa afetar cada vez mais pelo passado trágico de Sandie de forma que não consegue mais lidar com tantos fantasmas (literais ou não), da própria Eloise, de Sandie, da cidade, a atriz entrega muito bem a transição entre ser um espelho das suas inspirações e absorvê-las de forma além da saudável.

Noite Passada em Soho é uma carta de amor e ódio à nostalgia de tempos passados, ao mesmo tempo que põe o espectador como agente ativo de uma discussão intencionalmente incômoda, nessa passagem de 60 anos nos tornamos tão diferentes como sociedade? As coisas que acontecem com Sandie são tão incomuns assim ainda nos dias de hoje? Tanta violência física e psicológica que as personagens femininas são submetidas nesse filme, podem torná-lo gatilho psicológico para alguns públicos, especialmente feminino. Eu, particularmente, me senti extremamente incomodado mesmo entendendo que não eram gratuitas, porém conversar com mulheres após a sessão foi importante para entender como tudo aquilo em tela pode ser ainda mais assustador para pessoas que sofreram violências parecidas.

Noite Passada em Soho
Sinopse
Noite Passada em Soho acompanha Eloise (Thomasin Mckenzie), uma jovem apaixonada por design de moda que consegue, misteriosamente, voltar à década de 1960. Lá, ela encontra Sandy (Anya Taylor-Joy), uma deslumbrante aspirante a cantora por quem é fascinada. O que ela não contava é que a Londres dos anos 1960 pode não ser o que parece, e o tempo passa cada vez mais a desmoronar, levando a consequências sombrias.
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Notas
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