Sem tempo | League of Legends

17 de maio de 2020

Publicado por Samuel Chaves

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Confira o conto do evento Pulsefire de 2020

SEM TEMPO
POR MICHAEL YICHAO

PERSEGUIÇÃO

Duas rajadas de energia explodem sobre mim, fazendo com que centelhas caiam em cascata. Corro ainda mais rápido pela estrada. Atrás de mim, os passos do executor temporal ecoam pelas paredes estreitas. Rápido. Implacável. Odeio admitir, mas esse cara é mais rápido do que eu…

Por sorte, tenho algumas cartas na manga!

Ao topar com uma encruzilhada, finjo virar à direita e dou dois passos em direção ao beco antes de me translocar, recuando a curta distância percorrida num piscar de olhos, e sair correndo na direção oposta. Um embuste clássico — manobra que já venho aperfeiçoando ao longo de várias e várias fugas. Obrigado, de nada. Distorcer o espaço em curtas distâncias com esse traje Pulsefire é uma mão na roda…

Pena que esse cara já sabia o que esperar. Sabe-se lá como.

Quando me dou conta, ele já está na minha frente com as duas armas disparando contra mim. Os reflexos dele receberam reforço temporal. Só pode. Eu levanto os braços para me cobrir (afinal, este rostinho aqui é sagrado), e a primeira explosão resvala contra o meu canhão, mas a segunda acerta em cheio o meu torso e me faz vacilar. Caio de joelhos com tudo. Meu alarme interno começa a disparar. Eu lanço um disparo às cegas, do qual ele desvia sem esforço nenhum. As armas agora estão apontadas direto para mim. Ele está tão perto que quase sinto elas no meu nariz. Levo as mãos ao alto e sopro uma mecha desgrenhada de cabelo loiro dos meus olhos (engraçado como nem viajando no tempo sobra muito para cortar o cabelo), tentando ganhar tempo enquanto o traje se encarrega dos sistemas de armas.

O executor me encara através do visor. “Você não vai escapar de novo“, diz ele. Eu solto um resmungo. Então, a gente já se encontrou no futuro. Isso explica como ele conhecia meu supertrunfo exclusivo.

Nota mental: pensar em mais supertrunfos exclusivos.

“O tempo acabou, Ezreal. Você já criou anomalias demais nessa vida.”

Deixo escapar uma risada seca. “É sério isso? Você vira executor dos Recordadores, viaja no tempo, e esse é seu melhor trocadilho?”

De alguma maneira, ele consegue fazer uma cara mais feia ainda.

“Uma vida inteira se preparando para uma carreira de sucesso apreendendo criminosos e fugitivos do tempo, e sua melhor sacada é que… meu tempo acabou?”

A cara feia vira uma carranca retorcida, e ele chega tão perto que consigo sentir o calor do cano das armas. “Você não vai escapar na lábia desta vez, seu moleque catarrent…”

Translocação arcana recarregada.” Até que enfim! A voz de Pearl ecoa em ouvidos, e eu não dou chance do meu amigão terminar o raciocínio antes de me deslocar para trás dele.

Ou, pelo menos, tentar me deslocar para trás dele.

Como sempre, um clarão se acende… mas o núcleo do traje começa a chiar e soltar faíscas a partir do centro do meu peito, onde o executor deu a sorte de me atingir. Com um solavanco, paro exatamente no mesmo lugar de antes.

Eita, nóis.

Crec! O som do meu nariz se quebrando antecede a sensação latejante. Minha visão se enche de estrelas — na cara, não! Isso não se faz! Consigo ouvir o zunido das armas dele. Isso não se faz mesmo.

Já passou da hora de um daqueles novos supertrunfos.

Sobrecarregando o canhão, disparo uma onda gigantesca de energia. O executor consegue se esquivar (sério, qual é a dessa velocidade?!), mas a onda dilacera a estrada, as paredes e os letreiros de neon (e, com sorte, nenhum pedestre inocente), lançando entulho e estilhaços em todas as direções.

Eu não estava tão lascado desde as besteiras que aprontava quando era moleque. Acontece que, desde aqueles tempos, aprendi quando sair disparando… e quando sair disparado.

“Me tira daqui, Pearl”, suplico, enquanto corro o mais rápido possível. “A gente ainda tem bateria suficiente pra mais um salto?” Sinto algo molhado escorrer pelos meus lábios e esfrego o rosto com a manopla. É, isso é sangue. E isso é um nariz quebrado. Maravilha.

Salto temporal instável“, diz Pearl, com a tranquilidade de um túmulo. “Núcleo Pulsefire danificado.

“Isso não foi um não, então vou entender que sim!” Eu bato a mão contra o canhão no meu braço e o giro. O ronco familiar do Dispositivo do Salto Temporal reverbera nele inteiro. Por reflexo, começo a digitar um destino, mas desisto na mesma hora. Não. Não posso ficar dependendo dele sempre que entro em furada. Até porque nem aguento imaginar aquele sorrisinho convencido dele agora…

De repente, ouço um grito furioso. Eu espio por cima do ombro. O executor se ergue dos escombros com as armas a mil, lançando uma enxurrada incessável de disparos de energia contra mim.

Cara, eu devo ter deixado ele muito fulo quando a gente se conheceu. Digo, quando a gente se conhecer. Hã… Quando ele me conhecer tendo conhecido ele.

Viagem no tempo dá uma dor de cabeça…

Mas explosões de energia… essas, sim, vão direto ao ponto. Deixo que o acaso (Pearl, no caso) decida meu destino e projeto o portal em frente a mim. Mas, em vez da visão nítida de uma localização, há apenas uma estática opaca em tons de azul e branco trepidando na superfície.

Não há tempo para hesitar. Mergulho de cabeça no desconhecido. Se eu sobreviver em qualquer outro lugar, já é. Agora, se eu ficar aqui… já Ezreal.

O núcleo em meu peito estremece ao passar pelo umbral. Um arco de eletricidade oscila a partir dele, e eu despenco rumo a uma linha temporal desconhecida.

É… Isso não vai acabar bem.

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