Situações da AMD e Intel

O monopólio acabou?

Com o lançamento da geração Sandy Bridge, a Intel vem dominando absoluta no mercado de PCs, principalmente por ter uma performance superior desde então. Grande parte dessa diferença em performance se deu pela Intel ter desenvolvido um processo de litografia mais refinado que as suas concorrentes, que diminuíram de 13 em 2012 para apenas 4 em 2017.

Essa vantagem no processo de litografia está próxima ao fim segundo vários sites (listados ao final), onde afirmam que a Intel não somente falhou com seu processo de 10nm como na verdade já estava com problemas de implementação desde o processo de 22nm, além da mudança de vários aspectos do mercado e da concorrência.

Então o que mudou em 2017 e por que o mercado está tão ansioso por 2019? A resposta é bem simples na realidade, quem acompanha as principais notícias de semicondutores e fabricantes como Intel, AMD, NVIDIA, TSMC, Global Foundries (GloFo), Samsung, Qualcomm e por aí vai, já tem uma noção das possibilidades (certo só a morte) deste novo cenário tecnológico.

Respondendo à questão anterior, o que mudou foi que em 2017 nasceu (para o mercado) uma arquitetura (embora ainda imatura) capaz de competir com a Intel em diversos níveis, desde notebooks até workstation mantendo uma relação performance x watt (foco da AMD e GloFo) superior à da concorrência, sendo mais barata para fabricar e tendo uma performance superior dependendo da aplicação enquanto perdendo por pouco em aplicações que favorecem a arquitetura da Intel.

É importante notar que embora tenham sido feitas pequenas mudanças graduais desde o lançamento dos Sandy Bridge, assim como a AMD amadureceu a linha FX desde os 81XX, a Intel também fez o mesmo e o que vemos hoje nos Coffee Lake são CPUs muito amadurecidos e polidos em termos de fabricação e tecnologia embarcada, em comparação de arquitetura vs arquitetura a Coffee Lake é superior à Zen (veremos como se sairão contra a Zen +), embora eu sempre afirme quando recomende aqui no grupo, essa vantagem não compensa o custo.

Além dessa nova arquitetura que agora conseguiu criar uma competição ao monopólio da Intel, outra coisa que mudou foi o novo atraso do processo de litografia em 10nm da Intel, que já tem sido adiado desde 2015. Com esse atraso, os processadores de 10nm que normalmente significariam maior desempenho ou menor consumo serão atrasados obviamente.

O importante é: a GloFo (quem fez os chips para a AMD) não sofreu atraso em seu processo de 12nm (embora tenha sofrido problemas no de 14nm) e até agora até onde é sabido o processo de 7nm também está de acordo com o cronograma. Ou seja, a Intel foi alcançada em termos de processo de litografia e isso é algo que não acontecia tem algum tempo.

Esta briga entre 10nm (Intel) e 7nm (GloFo) é muito importante para definir a nova fabricante com melhor desempenho e relação performance x watt até a implementação da tecnologia ultravioleta na litografia atual. A Intel conta com a vantagem de estar trabalhando no mínimo 3 anos com essa litografia, embora as primeiras versões não tenham obtido uma boa performance, especula-se que na realidade ela já estaria em sua terceira revisão do processo (10nm++) e ainda assim não foi o suficiente para tornar a litografia eficiente.

A GloFo afirma em seu site que os ganhos do processo de 7nm chegam a ser de até 40% de performance com o mesmo TDP ou 55% de economia de energia com a mesma performance anterior e isso são os ganhos apenas do processo de litografia, sem contar melhorias na arquitetura (que segundo a AMD os Ryzen eram o seu pior cenário possível). Para exemplificar: imaginem que um Ryzen 3 1200 consegue extrair 100fps de um jogo CPU bound, em 7nm ele seria capaz de extrair no mínimo, apenas pelo refinamento do processo de litografia sem contar com nenhuma melhoria da arquitetura 140fps no mesmo jogo, gastando a mesma quantia de energia e sem overclock.

Claro que, isso vale para a Intel também, o problema é que o processo de 10nm segundo as informações publicadas até agora não está parecendo muito apetitoso aos olhos do público e dos investidores, com diversos atrasos e expectativas não muito boas.

Em resumo: péssimas decisões e problemas não previstos no processo de 10nm fizeram com que ele atrasasse muito, oportunizando aos concorrentes uma aproximação nos processos de fabricação e aliadas a mudanças no mercado e na concorrência fazendo com que o posto de alto desempenho absoluto e de líder na fabricação de semicondutores fique ameaçado em 2019 em diante.

Vou deixar esse último post aqui como “especial de fim de ano” hahaha, discutam sabiamente, cada empresa teu sua vantagem, o que proponho aqui é a discussão entre empresas como fabricantes de semicondutores e não como melhor para “gueimes”.

Todas as fontes serão listadas a seguir, por favor antes de comentar seria interessante dar uma lida nelas.

https://www.globalfoundries.com/technology-solutions/cmos/performance/7nm-finfet
https://overclock3d.net/news/misc_hardware/globalfoundries_7nm_process_is_set_to_make_intel_s_process_leadership_evaporate/1

https://www.semiwiki.com/forum/content/7191-iedm-2017-intel-versus-globalfoundries-leading-edge.html

https://www.facebook.com/groups/teclabbyrbuass/permalink/1427151127411440/ (Guilherme Colovini Basso)

Rafael Casanje

Programador mirim, amante da informática desde os 8 anos, jogador profissional de Pinball Space Cadet e adora séries

Estamos ao vivo!
CURRENTLY OFFLINE